Quem tem medo do GfK?

globo derretendo na audiencia ibope baixo gfk

Desde o final de 2014 se falava na venda do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), ou melhor, parte dele. Trata-se do Ibope Media, que afere a audiência de TV (entre outras plataformas). O Instituto da família Montenegro, criado em 1942 agora é da britânica WPP, maior grupo de propaganda e relações públicas do mundo. Ela que já possuía 44% do Ibope Media, comprou os 56% restantes e se tornou sócia majoritária. Pois bem, a pretensão da WPP é investir pesado na expansão da medição de audiência no Brasil, passando a penetração do serviço de 44% (atual) para 80% do país. Essa penetração se torna praticamente o dobro do que será oferecido inicialmente pelo serviço de medição de audiência da alemã GfK, recém chegada no Brasil. Será uma briga de cachorro grande. A distribuição dos aparelhos de medição da GfK foi concluída no mês passado. São cerca de 6.000 domicílios pertencentes a todas as classes sociais, da A à E. Para isso, a empresa alemã realizou um censo da população brasileira, finalizado em dezembro de 2014. Entre os diferenciais trazidos pela GfK e que despertaram o Ibope para que se modernizasse estão a aferição de conteúdo gravado e consumido pelos espectadores depois de sua exibição original. A empresa alemã também irá incluir a transmissão via cabo e por satélite nas medições.

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Este mês a GfK deu início a suas primeiras medições em caráter experimental e entrega os primeiros indicadores de audiência em São Paulo, onde estão instalados cerca de 1,6 mil aparelhos e na cidade do Rio de Janeiro com 920 equipamentos. A partir de julho as medições irão iniciar em outras treze regiões metropolitanas do país. Apenas a Record, Band, Rede TV! e SBT fecharam contrato com a GfK, que terá validade de cinco anos. A TV Globo não mostrou interesse pelo concorrente do Ibope. Comenta-se que isso é apenas uma questão de tempo. Será mesmo? A Rede dos Marinho completa no dia 26 de abril 50 anos no ar e vem passando por um momento de “crise de identidade” que já fez com que alterasse a sua consolidada grade de programação nas tardes, trocando atrações de horário e reinventando o que já foi inventado como é o caso do “Vídeo Show”. Pior do que modificar a programação é ver o seu principal produto do horário nobre, a novela “Babilônia” render os piores resultados em índices de audiência cada vez mais baixos. Na noite de sábado (4) a trama escrita por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, amargou a pior audiência da história do horário das 21h aos sábados, fechando com apenas 20.2 pontos de média. Cada ponto equivale a 67 mil domicílios na Grande São Paulo. Sua antecessora “Império” foi tida como a melhor novela desde “Avenida Brasil” que chegou a 52 pontos em São Paulo. O folhetim de Aguinaldo Silva recuperou a audiência do horário, que havia sido maltratada por uma sequência de tramas pouco envolventes — a risível ‘Salve Jorge’, o dramalhão de ‘Amor à Vida’ e a letárgica ‘Em Família’. “Império” tinha média de 33 pontos e em seu último capítulo registrou 46 pontos na Grande São Paulo. Mas o que há de errado com “Babilônia”?

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“Babilônia” – Divulgação/Rede Globo

Entre os motivos estão a não aceitação dos telespectadores com os rumos que a trama vem tomando, além dos assuntos abordados. Inicialmente se falou que estariam descartadas mudanças no folhetim mesmo diante de seu baixo rendimento na faixa de horário mais cara da TV brasileira, logo atrás do Jornal Nacional.  Na tentativa de recuperar o que já é tido como irrecuperável a “Vênus Platinada” teve que se dobrar e fez na segunda-feira (06) o “relançamento” da novela com mudanças na abertura, chamadas, e principalmente no enredo e conduta de seus personagens. Apesar do esforço essas alterações não surtiram efeito nos índices de audiência e a novela segue em baixa. Outro grande motivo que faz com que “Babilônia” vá de mal a pior é a colocação de novelas por outras emissoras na mesma faixa de horário. A Record com “Dez Mandamentos” e o SBT com “Chiquititas” e “Carrossel”. A soma dos excelentes índices das duas emissoras no mesmo horário que a TV Globo chegam a superar os números de “Babilônia”. Os dados consolidados da noite desta quarta-feira (08) deixam isso bem claro.

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“Os Dez Mandamentos” – Divulgação/Rede Record

“Os Dez Mandamentos” registrou 13,1 pontos, “Carrossel” marcou 13 pontos, contra 25,2 de “Babilônia”. Ou seja, Record e SBT juntas chegam a 26,1 pontos, fazendo com que a “pizza televisiva” seja bem dividida, tornando a disputa pela faixa muito acirrada. A Record chegou a picos de 16 pontos na Grande São Paulo e consolidou 14 na segunda-feira (06) com “Os Dez Mandamentos”. A novela de Vivian de Oliveira com direção de Alexandre Avancini tem se mostrado um grande concorrente na disputa pela liderança e ao contrário de “Babilônia” tem agradado ao público. Essa guerra pela audiência proporciona ao telespectador maior qualidade na teledramaturgia. O público está mais seletivo e quanto maior a opção na TV aberta, melhor o conteúdo que chega até a casa de milhares de brasileiros. Se a medição do Ibope tem deixado explícita a real situação de desagrado por parte do público em relação ao folhetim das nove na Rede Globo e mesmo o Instituto tendo a fama de ser manipulado pela emissora carioca na tentativa de sempre favorecê-la no período em que esteve sob o comando da família Montenegro, não conseguir esconder esses resultados desfavoráveis. Com a chegada de um concorrente à altura nas medições da audiência capaz de apresentar novos horizontes na forma como o brasileiro vem assistindo TV e com um olhar para todas as classes sociais. Não seria esse o receio da Rede Globo? Então, quem tem medo do GfK?

Raphael Narcizo

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Um comentário sobre “Quem tem medo do GfK?

  1. Acredito que não deverá trazer grandes alterações nos nrs da GFK dos quais o IBOPE vem apresentando, mesmo porque, houve uma adequação aos apresentados até aqui pelo instituto sabendo que a concorrência começaria a aferir já este ano. No entanto,se nota um crescimento da concorrência em relação ao horário nobre. Este crescimento tem sido sazonal, como sempre ocorre de vez em tempo. SBT, Record têm se destacado nessa migração de audiência, Band e Rede TV não tem decepcionado naquilo que se espera delas. Vale lembrar que a Globo tem quadros e qualidades suficientes para estancar esta fuga de telespectadores e, acredite, não está de braços cruzados. Seu poder de reação, apesar de estar concorrendo com outras mídias, o que não ocorria no passado, é muito grande e tem muita lenha para queimar. Em matéria de investimentos, a única que parece se mover tem sido a Record, já que o SBT tem reagido apenas com reprises, enlatados antigos e produções infantis baratos com os quais estruturou sua audiência ao longo dos anos. A Record tem sofrido durante o período da tarde com baixíssimas audiências em seus programas e tem demorado muito pra reagir e quando faz é de forma atabalhoada, sem criatividade e esquecendo que às vezes o problema está no conteúdo e não nos apresentadores. Outra coisa que se nota nesta alavancagem de audiência da Record é o deficit de bons redatores em seus programas, algo talvez mais relevante do que grandes produções.

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